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Programa Bem-Receber chega ao público GLS

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Eleita pela revista Seleções a cidade mais gentil da América Latina, São Paulo faz jus ao título, estendendo aos gays, lésbicas e simpatizantes o conceito de qualidade embutido no programa Bem-Receber, lançado há um ano pelo São Paulo Convention & Visitors Bureau

Muito em breve, o casal gay que se hospedar na rede de hotéis cadastrados ao São Paulo Conventions & Visitors Bureau (SPCVB) estará definitivamente dispensado de explicar que, a exemplo do casal heterossexual, prefere uma única cama – direito legítimo, mas do qual muita gente ainda abre mão, para evitar constrangimentos.

A mudança de comportamento será possível graças ao Programa Bem-Receber, que agora se estende ao público GLS, depois de treinar, no espaço de um ano, mais de dois mil profissionais, entre taxistas, recepcionistas, policiais, guardas de trânsito (os conhecidos “marronzinhos”) e até maquiadoras. “O objetivo é promover a excelência no atendimento nos hotéis integrantes do sistema, mediante palestras e cursos dirigidos aos diferentes profissionais que lidam direta e intensivamente com os vários segmentos do nosso público-alvo; isto é, os visitantes que vêm a São Paulo participar de eventos”, explica Sando.

Lançado no ano passado, o Bem-Receber, segundo o diretor-superintendente do SPCVB, Toni Sando, se sustenta em dois pilares. Um deles são os folhetos que divulgam os pontos turísticos na cidade, sempre acompanhados de cupons dando direito a descontos na compra de bens de consumo e ingressos em espetáculos musicais, cinemas e teatros. O Programa Bem-Receber, propriamente dito, em parceria com outras entidades de classe, se destina à capacitação profissional, com vistas à melhoria de qualidade dos serviços.

A ação começou pelos recepcionistas, taxistas e “marronzinhos” que fazem ponto nas proximidades dos hotéis ligados ao SPCVB – mais de 500 pessoas, treinadas em módulos que reúnem, a cada palestra ou curso, 50 a 60 inscritos. “A opção se justifica: afinal, primeiros a lidar com os visitantes, esses profissionais são uma espécie de cartão de visita da cidade”, argumenta Sando.

Os taxistas, entre outras coisas, foram levados a praticar a arte da gentileza e a sugerir, conforme o perfil do visitante, locais a serem visitados: restaurantes, bares, casas noturnas, teatros e pontos turísticos de interesse cultural e histórico de modo geral. Os “marronzinhos” aprenderam a orientar os turistas motorizados a se locomoverem na cidade e a buscarem a melhor opção em estacionamento.

Dentro dos hotéis, os recepcionistas estão treinados até mesmo para reconhecer e respeitar traços da cultura oriental, desde a arte de bem servir o chá até grau de intimidade que devem observar no cumprimento. Maquiadores sabem exatamente que técnica e material utilizar no atendimento a pessoas de etnias e hábitos diferentes.

Mas o esforço pela qualidade no atendimento só está começando. Agora, ele vem beneficiar os gays e lésbicas, segundo Sando, ainda muito discriminado, desde a hora em que, casados, ao lado dos respectivos companheiros, se dirigem ao recepcionista para fazer a ficha e escolher o tipo de acomodação.

No Programa Bem-Receber, a maior parte das palestras está a cargo de instrutores destacados pela Associação dos Bacharéis em Turismo. A equipe, interdisciplinar, compõe-se de sociólogos, psicólogos, antropólogos, professores e jornalistas, entre outros profissionais liberais. Alguns são cedidos por entidades de classe e demais setores da sociedade, devidamente organizados. Por exemplo, ABIH (Associação Brasileira da Indústria Hoteleira), FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), Viva o Centro, Paulista Viva e Associação Brasil-China, cujo apoio foi decisivo nas etapas anteriores do programa.

“Agora é a nossa vez de colaborar”, adere Franco Reinaudo, presidente da Abrat (Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes). No caso do público GLS, a proposta é levar os profissionais que trabalham na rede de hotelaria ligada ao SPCVB a tratarem os homossexuais com respeito e naturalidade, desmontando todos os preconceitos acerca do comportamento deles. “Inclusive as manifestações públicas de afeto, aceitas entre casais heterossexuais”, reivindica o presidente da Abrat. “Ninguém nasceu preconceituoso. Preconceito se aprende. Mas também se desaprende. No caso do público GLS, basta que a pessoa tenha acesso a informação capaz de desmentir, com base em fatos científicos, as teses que identificam homossexualismo com os conceitos de doença, perversão e crime. É isso que pretendemos fazer”, resume o presidente da Abrat.

Por Lucia Helena Corrêa - Diário do Turismo



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