50 razões para amar São Paulo em 2008
1ª Porque é a melhor noite do planeta
A ilha de Ibiza, na Espanha, é famosa pelos clubes noturnos, onde tocam os melhores DJs e as festas não têm hora para acabar. Mas essas maravilhas só funcionam de junho a setembro. Em São Paulo, a vida noturna acontece todos os dias, o ano inteiro. Melhor: tem de tudo para todos. São mais de 200 baladas, para todas as tribos: pagodeiros, punks, cybermanos e até animadas senhoras da terceira idade. Quer dançar rock na segunda? Tem. Curtir um sambão, na terça? Fácil. “A noite paulistana é um mosaico de nichos culturais”, diz Alexandre Youssef, dono do Studio SP e coordenador do movimento Noite Viva, que articula 30 casas noturnas da capital. Quem ganha são os freqüentadores, em número sempre crescente. “Todo lugar a que você vá está sempre cheio”, diz Gabriela Proença, 19 anos, que muitas vezes emenda o cursinho com o pagode. “Nem Nova York tem vida noturna nos sete dias da semana.E aqui é fácil achar sua turma, sua tribo “, diz o ator André Engracia, 31, que viveu dois anos na Big Apple. “São Paulo é 24/7”.

2ª Porque é a melhor gastronomia do mundo
“São Paulo é a maior capital gastronômica do Brasil” é um dos clichês mais comuns na boca dos paulistanos. O orgulho tem sua razão de ser. A gastronomia é um dos pontos mais fortes da cidade, tanto na oferta quanto na qualidade. Ou seja, come-se de tudo, e bem, na capital. São cerca de 12.500 restaurantes, com 42 tipos de cozinhas. A começar pela excelente culinária italiana made in San Paolo, resultado da presença maciça de imigrantes vindos da Itália - há mais de 400 cantinas espalhadas por aqui. São Paulo é também a cidade com maior número de restaurantes japoneses (800) fora do Japão. Aqui está o único brasileiro que consta da lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, o D.O.M. Cozinha tailandesa, francesa, alemã, indiana, árabe e americana: o mundo está em São Paulo. E o Brasil, com seus pratos mineiros, paraeneses, nordestinos e gaúchos, também.
3ª Porque adoramos ler
Nos parques, nos ônibus, no metrô, em mesas de restaurantes e na fila do banco, há sempre um paulistano com um livro no colo. O mercado não pode reclamar. Prova disso é o sucesso da Fnac por aqui. Com 8.000 m², a loja de Pinheiros é a maior do país e foi pioneira ao trazer para o Brasil o conceito de não ser só uma livraria, mas sim um distribuidor de produtos culturais. CDs e DVDs também têm seu espaço na Livraria Cultura. A matriz, na Av. Paulista, ocupa 4.300 m² em três pisos e vende cerca de 3 milhões de títulos por mês. “O paulistano busca qualidade tanto nos livros para entretenimento quanto no material de estudo”, diz Pedro Herz, diretor-presidente da Cultura. Os sebos também estão em alta por aqui, com seus títulos fora de catálogo e bem conservados.
4ª Porque não existem padarias como as nossas
Em São Paulo, todo mundo tem a “sua” padaria. E, ao contrário da grama do vizinho, a “sua” padaria é sempre melhor do que a “dele”, seja para tomar café, comprar um pãozinho delicioso ou levar as crianças para um sorvete. Se ainda não tem, aposte: em pouco tempo, a “sua” padaria vai oferecer um belíssimo café-da-manhã, além de almoço e sopinha no jantar. Quem afirma é Antero José Pereira, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação. “A cidade conta com quatro mil padarias. Dessas, 400 são completas. Não demora, a maioria vai servir comida. Padaria, em São Paulo, é o lugar da família, é ponto de encontro”, diz ele. Antero é português e vem de uma família de padeiros. Seus dois filhos agora assumiram a padaria dos pais, no Brooklin. Por que tantos portugueses nesse ramo? “Um foi trazendo o outro”, afirma. “Agora, estamos levando o nosso know-how para Portugal”. São as padarias de São Paulo tipo exportação.
5ª Porque temos a maior parada gay
A primeira parada aconteceu em Nova York, em 1969, quando homossexuais atravessaram a cidade em protesto contra a discriminação. A novidade chegou a São Paulo 27 anos depois. Em 1996, duas mil pessoas percorreram a Paulista. No ano passado, foram 3,5 milhões, confirmando o quarto título consecutivo de maior parada gay do mundo (São Francisco, nos EUA, fica em segundo, com 1,5 milhão). O evento não esportivo que mais atrai turistas para cá tem potencial para reunir 4 milhões de pessoas no próximo dia 25. Sob o arco-íris mais animado do planeta, celebridades desfilam ao lado de travestis, pais levam os filhos nos ombros, garotas trocam beijos animados e rapazes competem em rebolado com os go-go boys.

6ª Porque nossos táxis são os melhores do país
Não é exagero. Os carros são novos, a maioria dos motoristas é gentil e não “dá voltinha” com quem não sabe o caminho (no trânsito, o taxista também seria prejudicado). Há motoristas que oferecem bebidas e revistas importadas e até cabo para conectar o iPod do cliente. “Trocamos os carros a cada dois anos. Mesmo os que não são de frota são renovados porque a isenção de impostos facilitou”, diz Ricardo Auriemma, presidente da Associação das Empresas de Táxi de Frota do município. Hoje, são 32.766 táxis.
7ª Porque corremos e não só no trabalho
Eles driblam o trânsito e a agenda lotada, ignoram o monóxido de carbono das avenidas ou fogem até o parque mais próximo. Em busca de boa forma e bem-estar, os corredores paulistanos proliferaram de forma surpreendente e transformaram a corrida em movimento organizado. Em 1992, as primeiras provas promovidas pela Corpore – maior associação de corredores do Brasil – tinham cerca de 600 atletas. Já em 2007, reuniam 126.697 em seus 26 eventos.
A tribo, majoritariamente masculina e com idade entre 30 a 34 anos (dados da Corpore), se concentra no Parque do Ibirapuera durante a semana e na Cidade Universitária aos sábados. Nos domingos, é o Minhocão que vira pista. Também não causam espanto os dedicados corredores se exercitando no canteiro da Avenida Sumaré. Até nas Marginais é possível encontrá-los. Paulistano se acostuma com o ritmo acelerado do cotidiano e corre. Ou corre para se acostumar a ele.
8ª Porque somos multiculturais
São Paulo recebeu 70 povos diferentes ao longo de 454 anos. Não é pouco. Especialmente quando sabemos que todos eles vivem em harmonia e, salvo exceções, livres de preconceitos. Aqui, cores e credos se misturam. Há escolas laicas que recebem crianças de todas as religiões e tomam cuidado para não comemorar a Páscoa cristã, por exemplo, em detrimento do Hoshashana judaico e do Ramadã islâmico. Essa diversidade é buscada pelos pais que não desejam educar os filhos em uma única fé. A bióloga muçulmana Magda Mednat Pechilye, a psicóloga judia Vivian Evelyn Huszar e a administradora católica Denise Barone Spachi vêem com satisfação os filhos Mustafá, Max e Nathalia, todos com 10 anos, estudando na mesma classe. “Pessoas preconceituosas são burras. Não entendem que dá para ser amigo de quem é diferente da gente”, diz o esperto Max. A possibilidade de exercer (e conviver com) as diferenças não é tão comum quanto deveria ser em grande parte das cidades. Aqui isso acontece. “A cidade sempre ofereceu oportunidades de trabalho para todos. Recebeu correntes migratórias com tradições diversas e possibilitou que elas fossem preservadas”, diz José Guilherme Magnani, coordenador da área de Antropologia Urbana da USP.
9ª Porque temos a Aspicuelta
Ela não é grande, nem larga e nem especialmente bonita. O nome é engraçado e vem de um padre espanhol do século 16. Mas nela dá para marcar viagens para a Rússia, comprar roupas de grife, tomar chope, comprar móveis antigos, provar culinária pernambucana, deixar as crianças brincando, tomar chope, cortar o cabelo, fazer uma boa massagem, comer pizza de metro. E, claro, tomar chope: não dá para escapar ileso da encruzilhada mais bombada da cidade – São Bento, Posto 6, José Menino e Cervejaria Patriarca. Não tem galinha preta ou vela, mas em compensação tem costelinha, sushi, frutos do mar… E, claro, muito chope.
10ª Porque nos apaixonamos (e fazemos amigos) no trânsito
Se a gente passa tantas horas no engarrafamento, é natural que role uma paquera. Algumas resultam em namoro e até casamento. Foi assim com o designer Douglas Feitosa, 26 anos, e com a produtora Maíra Torrecillas, 22. Eles tomavam o mesmo ônibus, sentavam juntos, mas não se falavam. Um dia, Douglas a encontrou na fila do cinema, se apresentou e comprou ingresso para o filme. Estão juntos há seis anos. O estudante Fernando Molina Lopes, 21, e a administradora Vivian Nunes Palos, 26, se conheceram no meio do caos. Ele estava parado num retorno da Faria Lima fazia um bom tempo, até que Vivian deu passagem. Fernando não se contentou em agradecer. “Escrevi um bilhete perguntando se poderia conhecê-la, coloquei o endereço do meu messenger e pedi a um vendedor de biju que o entregasse a ela”, diz. “Não costumo adicionar desconhecidos, mas foi a primeira coisa que fiz ao chegar em casa”, conta ela. Os dois namoram há oito meses.
11ª Porque reinventamos o cafezinho
Puro ou com leite. Curto, duplo, com espuma ou carioca. Com ou sem chantilly. Seja qual for a moda do freguês – com açúcar, adoçante ou ao natural –, paulistano raramente se habitua aos cafés oferecidos em outras cercanias. Para satisfazer os paladares mais exigentes, a cidade foi pioneira em disponibilizar blends e grãos especiais não apenas nas prateleiras dos supermercados, mas também no balcão das melhores cafeterias. No Suplicy, por exemplo, as opções diferem conforme a torrefação: o grão de torra escura, de sabor intenso, é fornecido por uma fazenda do Cerrado de Minas, enquanto o café orgânico, de torra mediana, vem do Espírito Santo. No Santo Grão, há seis diferentes versões, provenientes de regiões como Alta Mogiana (SP), forte e encorpado, e Sul de Minas, mais suave, além de um delicioso blend exclusivo da casa. Nesses lugares, não estranhe se você pedir um expresso e o garçom responder: “Qual?”.
12ª Porque Alice Braga
Se perguntarem a Alice Braga onde ela mora, a resposta será meio vaga. Depois da sua atuação no filme Eu sou a lenda, ela se tornou a atriz brasileira de maior sucesso nos Estados Unidos. Vive entre Nova York, Los Angeles e São Paulo. Mas, se perguntarem “Onde é sua casa?”, a resposta será imediata: “Em São Paulo, oras!” Não que ela tenha um apartamento montado aqui. Suas roupas estão em malas, na casa da irmã, Rita Braga. No entanto, é em Pinheiros, bairro onde nasceu, que ela se sente de fato em casa. “Sou 100% paulistana. Adoro a cidade. Ando de ônibus para observá-la melhor. Amo os restaurantes, os bares”, diz Alice.
Sobrinha de Sonia Braga e filha da atriz Regina Braga, Alice conseguiu, aos 24 anos, o que muito artista não alcançou a vida toda. O sucesso veio logo no primeiro longa, Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles – a quem Alice chama carinhosamente de “padrinho”. Meirelles gosta do tratamento, embora afirme que não “apadrinhou” ninguém. “A Lili chegou lá em razão de seu talento e sua dedicação. Ela está apenas começando. Ninguém a segura”, diz Meirelles. E o que chamou a atenção dele, logo de cara? “O carisma”, afirma. “Essa espontaneidade passa verdade nos personagens que ela faz”.
Elogiada pela crítica americana, Alice acabou de filmar Repossession Mambo, ao lado de Jude Law. Em poucos meses, estará nas telas com Rodrigo Santoro em Redbelt. Mas nem contracenar com atores tão desejados a faz mudar o jeito de moleca. “Alice não deixou de ser ela”, diz a irmã, a produtora Rita. “Ela é superfamília, carinhosa, brincalhona. Sensível. Um dia me ligou do Canadá, onde estava filmando, meio chateada, com saudade. Tinha acabado de beijar o Jude Law no set. Como podia estar triste? Pois é, queria colo. Esta é Alice”.
13ª Porque podemos ver grandes shows em pequenos bares
A luz baixa e o ambiente esfumaçado ajudam a compor a viagem. Não estamos mais na São Paulo de 2008, mas no porão de um clube de jazz da Nova York dos anos 60. No mezanino, o saxofone espera apoiado em seu suporte, o contrabaixo descansa encostado ao piano. Os músicos atacam e o ar muda. O clima no Bar Piratininga (foto), fica mais leve, mais quente. São os efeitos daquela música.
14º Porque SPWF
A São Paulo Fashion Week não é apenas a mais importante semana de moda da América Latina, mas também um meio poderoso para a divulgação de mensagens que transcendem o mercado de vestuário. Foi assim no desfile da Cavalera em janeiro deste ano, quando trocamos a Bienal pelas margens do rio Tietê e conseguimos chamar atenção para a poluição. Além de consumir R$ 6 milhões apenas em sua estrutura, a semana agita os setores de turismo e hotelaria e coloca São Paulo no foco da moda mundial. Minha estréia na SPFW aconteceu em 1997, quando ele ainda se chamava Morumbi Fashion. Desde então, só me ausentei uma vez. E, contando as colaborações que fiz nos desfiles de marcas como Zapping e Copa Rocca, talvez eu seja o estilista mais assíduo na semana.

Fonte: Época SP - Acesse para ler a matéria completa.
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